Resumo
O glaucoma é uma doença crônica e progressiva, na qual a redução da pressão intraocular (PIO) permanece como a única estratégia comprovadamente eficaz para retardar a progressão do dano ao nervo óptico. Tradicionalmente, o tratamento inicial baseia-se no uso contínuo de colírios hipotensores; contudo, essa abordagem depende fortemente da adesão do paciente e está associada a efeitos adversos, impacto sobre a superfície ocular e prejuízo à qualidade de vida. Nesse contexto, a trabeculoplastia seletiva a laser (SLT) surge como uma alternativa eficaz e segura, independente do uso diário de medicações. Evidências contemporâneas, especialmente do ensaio clínico randomizado multicêntrico LiGHT, demonstram que a trabeculoplastia seletiva a laser apresenta eficácia hipotensora sustentada comparável ao tratamento medicamentoso, com menor necessidade de intensificação terapêutica, menor progressão da doença e menor demanda por cirurgias filtrantes ao longo do seguimento. Embora os escores globais de qualidade de vida sejam semelhantes entre as estratégias, o tratamento inicial com trabeculoplastia seletiva a laser associa-se a menor carga terapêutica, maior autonomia e maior satisfação do paciente. Apesar do sólido embasamento científico, a adoção do trabeculoplastia seletiva a laser ainda enfrenta barreiras relacionadas à formação do oftalmologista, à comunicação médico-paciente e à disponibilidade do equipamento. Assim, a escolha entre trabeculoplastia seletiva a laser e colírios deve integrar eficácia, adesão e qualidade de vida, dentro de uma abordagem individualizada e centrada no paciente.
Palavras-chave: Trabelucoplastia seletiva a laser; Adesão ao tratamento; Qualidade de vida.