Resumo
OBJETIVOS: Revisar estratégias de reabilitação visual em crianças com catarata congênita e seus desfechos funcionais e de qualidade de vida.
MÉTODOS: Revisão narrativa na base PubMed entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, usando descritores "congenital cataract" AND "visual rehabilitation" e "congenital cataract" AND "low vision". De 327 artigos, 16 estudos originais foram incluídos e analisados qualitativamente.
RESULTADOS: O sucesso visual depende de cirurgia precoce e reabilitação intensiva. Não houve diferença na acuidade visual final entre implante de lente intraocular e afacia corrigida com óculos ou lentes de contato. Entretanto, implante em menores de sete meses apresentou mais complicações e reoperações, recomendando-se lentes de contato nessa faixa etária. Ressonância magnética funcional demonstrou recuperação parcial da modulação visual básica após cirurgia tardia, porém integração visual-multissensorial e circuitos inibitórios permanecem incompletos, resultando em limitações funcionais persistentes, incluindo déficits em reconhecimento facial. Estimulação visual precoce com materiais de alto contraste e atividades lúdicas mostrou-se essencial. O Questionário de Função Visual Infantil evidenciou déficit significativo na qualidade de vida, especialmente em impacto familiar e competência funcional, com melhora significativa após reabilitação multiprofissional.
CONCLUSÕES: Intervenções precoces melhoram função visual e qualidade de vida, reforçando a importância do acompanhamento multiprofissional na reabilitação de crianças com catarata congênita.
Palavras-chave: Catarata congênita; Reabilitação visual; Baixa visão; Estimulação visual; Oftalmologia pediátrica.